Visões de mundo, filosofia e educação ambiental

Por Gabriela Arakaki

Na mesa que se realizou na manhã do dia 29 de março no VII Fórum Nacional de Educação Ambiental, os palestrantes buscaram estabelecer relações entre a educação ambiental e questões espirituais e sutis que diferentes religiões e correntes filosóficas apresentam.

Mãe Conceição, representante das matrizes religiosas africanas, relatou o quanto a mata, a terra e a água são importantes para a realização dos rituais. Para ela, ao se escolher um caminho espiritual ou uma religião, a pessoa precisa buscar cada vez mais sabedoria para o cuidado com esses elementos naturais.

Marcos Arruda, do PACS, mencionou que a civilização capitalista enfrenta uma crise alicerçada no individualismo, na competição e na arrogância na relação com a natureza. Daí a necessidade da tomada de consciência para a transição rumo a uma sociedade baseada na cooperação e na colaboração.

Marcos Terena, importante liderança indígena do país, revelou diferentes facetas da relação entre os indígenas e a natureza, e traçou um panorama da influência dos não indígenas na transformação de alguns costumes. Mencionou, por exemplo, a transformação na forma de se relacionar natureza e espiritualidade, em que se abandonou uma postura de agradecimento às forças naturais, para dar lugar ao “pedir” a Deus,  trazido pelos ocidentais.

Terena acredita que os indígenas têm a ensinar aos ocidentais a cultura do compromisso com a mãe Terra e a espiritualidade. “A questão ambiental não é mais uma discussão sobre a defesa do verde, mas sim sobre o combate ao consumismo para redução da produção de lixo ou da exploração ilimitada dos recursos naturais”, comentou Terena. Segundo ele, há dificuldade dos indígenas compreenderem a ideia de valoração ambiental e da venda de créditos de carbono, pois para estas pessoas não existe “dono do ar” e não é possível se valorar a natureza.

Celso Marques, da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), reforçou que vivemos não apenas uma crise ambiental, mas uma crise de civilização, mais ampla que um problema ocidental, dizendo respeito ao planeta como um todo e ao mundo oriental. Afirmou que a crise de civilização vem no bojo da lógica capitalista, a qual gera uma violência que não se quer discutir. “Estamos vivendo uma alucinação coletiva criada pelo sistema educacional, baseado nas mídias de grande alcance. Há um desconhecimento da população sobre a votação do Código Florestal e sobre o desastre de Fukushima”, exemplificou.

Michele Sato (UFMT), mediadora da mesa, fez um convite aos palestrantes para refletirem sobre uma tendência da educação ambiental em defender a harmonia, o amor e a paz, mas que não insere e não prepara os educandos para lidar com conflitos socioambientais.




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