Troca de saberes entre agricultores fortalece projeto orgânico na Zona Sul

Diferentes saberes e experiências compuseram o debate da terceira aula do curso “Educação Ambiental para incentivar a Agricultura Orgânica nas APAs Bororé-Colônia e Capivari-Monos”, no último dia 14 de agosto, no Centro Paulus, em Parelheiros, São Paulo. O projeto realizado pelo Instituto 5 Elementos – Educação para a Sustentabilidade e pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura do Município de São Paulo, por meio do Fundo Especial de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – FEMA, vem apostando na formação de 28 agricultores para o sistema orgânico e na valorização de seus conhecimentos para a construção de um projeto sustentável para região do extremo Sul do município.

As características rurais e a cultura tradicional no contexto da ocupação paulistana dão à região das APAs especial potencialidade para práticas agrícolas voltadas à qualidade de vida e à conservação do maior remanescente de Mata Atlântica da cidade. Os conhecimentos transmitidos na última aula se relacionaram à nutrição vegetal, preparo de biofertilizantes, e cultivo biodinâmico, com importantes demonstrações práticas, além da construção coletiva dos mapas das propriedades. Também ouve espaço para troca de experiências que enriqueceram o processo educativo, pois os próprios agricultores ensinaram aos demais, origami, apicultura e comportamento das abelhas nativas.

A importância da nutrição para ativar a vida biológica do solo e estruturar a resistência das plantas foi trazida pelo consultor especialista em agricultura orgânica, Júlio César Soraggi, da Associação Biodinâmica, que mostrou que a nutrição mineral equilibrada dos vegetais os torna resistentes a pragas e doenças, ao invés de obrigar os produtores a comprar produtos químicos para combater esses males. Nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre, são os chamados macronutrientes e “compõe a estrutura das plantas, como os ossos e músculos no ser humano”. Segundo Júlio, o conhecimento dos nutrientes é complexo, mas é fundamental compreender que uma planta não sobrevive só dos seis elementos químicos mais utilizados nas adubações químicas; a nutrição com micronutrientes que são usados em menor quantidade pelas plantas, também é muito importante. “Cada elemento tem seu papel e o segredo está no equilíbrio entre eles. Daí a importância da análise de solo, para que se possa fazer uma adubação equilibrada, evitando assim ataques de pragas e doenças, desperdício de adubo e consequentemente de dinheiro”, complementou Ceceo Chaves, coordenador do projeto no Instituto 5 Elementos.

Por meio da dinâmica do “Aquário”, em que os participantes do grupo discutem observando-se entre si, foi possível obter respostas para questões como pragas em hortaliças, como lidar com formigueiros, construir corretamente uma estufa para mudas, além da decisão de se iniciar a troca de sementes entre os agricultores, nas aulas do curso e nas reuniões da Cooperapas. Muitos mostraram curiosidade sobre a importância da conservação da água e contaram com orientação da coordenadora institucional da ONG, Mônica Pilz Borba, sobre a outorga e o pagamento por serviços ambientais.

Ana do Mel, há 25 anos na região, revelou a todos o quanto à proteção ambiental depende das abelhas e vice-versa, já que são mais de 400 espécies nativas do inseto responsável pela polinização das plantas. “Tubuna, manduí, jandaíra, mamangaba… as espécies são cada vez mais raras devido, principalmente, a redução das matas em que vivem. O cambuci e o maracujá nativo, por exemplo, dependem da mamangaba, ameaçada de extinção. Meu papel é orientar as pessoas, ensinar como criar, formar colmeia e fazer o mel”, destacou Ana.

Produzir um biofertilizante que aumente a resistência das plantas contra fungos e doenças surgiu como um processo simples ao longo da aula. Os participantes viram na prática que basta misturar itens como fubá, açúcar, microorganismos e esterco, para obter o produto. E aprenderam ainda, alguns segredos para o cultivo biodinâmico da alface, como a produção das mudas na lua crescente ou o uso dos preparados biodinâmicos chifre-esterco e chifre-sílica para o desenvolvimento de suas raízes e folhas.




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