São Paulo rumo à Rio+20

Por Gabriela Arakaki

Aconteceu no sábado, dia 10 de setembro, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, o 1º Seminário – São Paulo rumo à Rio+20, organizado pelo Comitê Paulista para a Rio+20. O Seminário teve como objetivos desencadear um processo de mobilização e fomentar a criação de um documento em que constem os anseios estaduais para a Conferência Mundial.

Cerca de 250 pessoas se reuniram no auditório Franco Montoro. Entre os presentes estiveram representantes de organizações e movimentos sociais, como o movimento pela democratização dos meios de comunicação, o movimento feminista e o movimento de catadores de recicláveis, além de estudantes, Secretários Municipais de Meio Ambiente e atuantes de Comitês de Bacias Hidrográficas.

O evento foi marcado pela reflexão acerca dos 20 anos da Eco-92, e pela discussão sobre a necessidade de integração, articulação e mobilização dos movimentos e cidadãos entorno da questão socioambiental.

Após uma breve apresentação sobre o processo de formação do Comitê Paulista para Rio+ 20, foram realizadas mesas temáticas. Marcos Sorrentino (ESALQ-USP) e Moema de Miranda (IBASE-RJ) compuseram a primeira mesa sobre o “Panorama histórico: da Rio92 à Rio+20”. Na sequência, Aron Belinky (Vitae-Civilis) e Tica Moreno (militante da Marcha Mundial das Mulheres) abordaram o tema “Cenário Atual e Perspectivas da Rio+20”.

Marcos Sorrentino ressaltou que a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável tem caráter duplo, pois envolve tanto o processo oficial quanto o processo paralelo da sociedade civil. Sorrentino também lembrou que muitos documentos e ações importantes foram promovidos pelo movimento da sociedade civil durante a Eco-92, como a elaboração do Tratado de Educação Ambiental, e a formação do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMs).

Moema de Miranda contextualizou o âmbito das transformações globais ocorridas nos últimos 20 anos. Defendeu que tanto os modelos comunista e socialista, quanto o sistema capitalista não se diferenciavam ao ver o ambiente como fonte ilimitada de recursos naturais, e que será preciso construir um novo paradigma de “ser e estar no mundo”. Para Moema Miranda, o movimento ambientalista também precisa ouvir mais as demandas de movimentos sociais, que atuam com vulnerabilidades humanas básicas como a fome e a miséria.

Na segunda mesa temática, Aron Belinky apresentou dados oficiais do evento, como calendário, objetivos e métodos, e o organograma de órgãos da ONU envolvidos. Aron Belinky colocou que o evento é uma oportunidade de convergência entre cidadãos e representantes de diversas nações e movimentos em prol da causa ambiental.

Tica Moreno apontou que as articulações promovidas pela Marcha Mundial das Mulheres junto ao Movimento dos Sem Terra, à Comissão Pastoral da Terra, dentre outras organizações e movimentos, permitiram a implantação de iniciativas alternativas ao padrão capitalista de produção e consumo, pautadas na agroecologia, economia solidária e na noção de soberania alimentar.

No período da tarde os participantes se reuniram em grupos de trabalho. Os grupos discutiram o papel do Comitê Paulista e levantaram prioridades estaduais a serem apresentadas na Rio+20. As informações resultantes desses grupos de trabalho serão sistematizadas e disponibilizadas no blog do Comitê Paulista para a Rio+20.

De uma maneira geral, o evento colocou muitos questionamentos ao modelo de civilização atual, o que implica uma reflexão profunda sobre modelos políticos, econômicos e socioambientais vigentes.  Houve muitas críticas quanto à proposta da Conferência de acelerar a transição para a chamada Economia Verde. A próxima plenária do Comitê será realizada na semana do dia 3 de outubro de 2011.




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