Rio + 20 é aqui e agora!

Por Mônica Pilz Borba

Um dos destaques do VII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental foi a articulação dos educadores ambientais para participar com mais peso e organização da Rio + 20, na Cúpula dos Povos, pois os temas Educação Ambiental e Agenda 21 estão fora das pautas do evento oficial e do documento da ONU, que orienta o evento.

Na manhã do dia 30 de março, ocorreu a mesa redonda “Estado da Arte da Organização da Rio + 20”, sendo iniciada pela fala de Rubens Harry Born, do Instituto Vitae Civilis: “por mais que a participação e a perspectiva de sucesso da Rio + 20 esteja difícil, nós temos que fazer a diferença, pois é uma oportunidade”. Desta forma, temos que nos organizar e transmitir a Rio + 20 da Cúpula dos Povos para todas as partes do Brasil e do planeta.

Segundo Rubens Born, as principais polêmicas na Rio + 20 são: falta de informação, desconfianças, preconceito, oportunismo e greenwashing, protecionismo, visão de curto prazo, interesses entrincheirados, desemprego ou transição justa, dilema de crescimento, disparidade de produção e consumo, comodismo, consumismo dos desenvolvidos, desenvolvimento dos emergentes, carências dos menos desenvolvidos. Os debates devem acontecer a partir dos temas: governança ambiental X governança econômica X governança do desenvolvimento sustentável. Um dos destaques dos debates deve girar em torno do PNUMA e OMMA, pois mais de 100 países apoiam o fortalecimento do PNUMA, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que seria o embrião natural de uma agência ambiental nova. Vários países sugerem a criação da WEA ou de órgão similar. O surgimento da agência poderia ser forte chamariz para atrair grande número de líderes para a Rio+20 e garantir o êxito do evento. Mas a criação da Organização Mundial do Meio Ambiente (OMMA, na sigla em português) tem fortes opositores. Os Estados Unidos não querem nem ouvir falar dela. Historicamente, os EUA costumam não aceitar acordos ou organizações internacionais que possam interferir em suas próprias decisões internas. E a resistência americana é um grande obstáculo à ideia. Ironicamente, mas por razões outras, os EUA estão alinhados nesta oposição com Venezuela, Cuba e Bolívia. Os latinos temem que uma agência do gênero sirva para encobrir ações comerciais protecionistas de países ricos.

Integrantes da mesa redonda “Estado da Arte da Organização da Rio + 20″.

Jacqueline Guerreiro, articuladora da mobilização da REBEA na Cúpula dos Povos e da II Jornada Internacional do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis de Responsabilidade Global anuncia que está difícil conseguir espaço no Comitê de organização para o Tratado e outras atividades da área socioambiental. Neste comitê, quem participa são as Redes e, desta forma, há uma grande necessidade de fortalecer ainda mais nossas redes para protagonizar espaço da Rio + 20 para a Educação Ambiental, e o VII FBEA cumpriu este papel.

Segundo Carlos Frederico da REBAL – Rede Brasileira de Agendas 21 Locais, não podemos abandonar a história, pois já construímos e o governo não quer monitorar a construção da agenda ambiental. Continua a luta entre pobres e ricos, ou seja, o capitalismo e uma nova forma de desenvolvimento que inclua a todos. Qualquer uma destas discussões tem que incluir a questão ecológica, independente de ser socialismo ou capitalismo. A crise civilizatória está na mesa da Rio + 20!

Doroty Marttos, articuladora da REBAL, explica que dentro do FBONG (Fórum Brasileiro de ONGs) o Grupo de Trabalho de Educação Ambiental e Agenda 21 se uniu para fortalecer as ações comuns, bem como a participação na Cúpula dos Povos. Segundo ela, “precisamos de estratégias locais para pensar e executar o DSL – Desenvolvimento Sustentável Local”. Ela questiona porque alguns processos de Agenda 21 no Brasil foram paralisados e o Governo Federal não vem apoiando a implantação desta política.

A Rio + 20 está difícil sim, mas quem sabe a Cúpula dos Povos pode reverberar e fazer a diferença, com manifestações o mobilizações no mundo todo, para mostrar aos governantes o que de fato precisa ser efetivado nas políticas de sustentabilidade de todos os países do nosso planeta Terra, pois somos todos UM!




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