Mudanças climáticas é oportunidade para uma educação ambiental emancipatória

Por Heloisa Bio

A mesa-redonda sobre Mudanças Climáticas, Justiça Social e Ambiental, ocorrida em 30 de março no VII Fórum de Educação Ambiental, trouxe ao debate a relação entre as mudanças no clima, a contribuição da espécie humana para isso, e como os educadores podem compreender esse fenômeno para contribuir com a construção de um desenvolvimento mais sustentável.

A educadora Rachel Zacaria, da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), desenvolveu importante crítica sobre mecanismos de mercado que acabam por transformar a natureza em mercadoria, defendendo que as causas das mudanças climáticas são de responsabilidade da lógica destrutiva do capital, fundada na acumulação e exploração dos recursos naturais. “A crise ambiental traz soluções como o comércio de carbono e o pagamento por serviços ambientais, instrumentos que continuam se baseando nos valores do mercado”, criticou Rachel.

Nesse sentido, ações práticas de educação ambiental devem se articular com questões políticas, econômicas, sociais e culturais, e partirem da compreensão da crise climática como um conflito de interesses de classes, o qual será superado pela emancipação da ordem econômica vigente. “O conflito ambiental não expressa só divergências superficiais, pode ser o ponto de partida para uma educação crítica e emancipatória”, disse.

Conceitos da psicologia social foram trazidos por Maria Carolina da Silveira, do Conselho Federal de Psicologia, que atuou por longos meses com as populações atingidas por eventos climáticos extremos em Santa Catarina, a exemplo do tornado de 2007. “Situações de vulnerabilidade demandam construir conjuntamente com a comunidade uma nova realidade, trabalhar seu protagonismo social para enfrentar os desastres naturais, buscando olhar e  escutar esse sofrimento invisível”, enfocou Maria Carolina.

Uma análise diferenciada das mudanças climáticas em relação à comunicação e à educação, foi feita pelo professor da Universidade de Compostela (Galícia, Espanha), Pablo Cartea, que lembrou o quanto o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) se ocupa da dimensão biofísica do clima e da dimensão econômica, ignorando o fator social. Neste caso, atuar sobre a crise ambiental dependerá de como a sociedade entende e atua sobre o problema, a partir das representações sociais que desenvolve. “A comunicação e a educação para a questão climática envolvem problemas complexos, abstratos e pouco sentidos como ameaças diretas. Assim, a ciência deve se transformar para se converter em parte cotidiana da sociedade humana”, defendeu Cartea.

Cerca de 70 pessoas participaram do debate, e os interessados podem saber mais sobre o tema no site http://www.educatumundo.com/




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