Mesa discute economia verde, pobreza e governança local

Por Gabriela Arakaki

Em 30 de março, durante o penúltimo dia do VII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, ocorreram mesas redondas que visavam conferir contribuições da Educação Ambiental para a Rio+20 através de diálogos com especialistas.

Na mesa que debateu o tema Economia Verde, erradicação da pobreza e governança global, Ladislau Dowbor, economista – PUC-SP, e Rubens Harry Born, engenheiro civil – Vitae Civilis, apresentaram o cenário sobre os debates entorno do conceito da temática, além de traçar uma visão crítica a seu respeito.

Dowbor defende um modelo de governança baseado em sistemas descentralizados participativos, como o que presenciou na Suécia. Criticou o atual modelo econômico que acredita no crescimento indefinido da produção e do consumo, argumentando, por exemplo, que o PIB é uma conta errada, pois mede o ritmo de uso dos recursos e não mede os resultados de sua utilização (questão ética) nem considera a redução de seu estoque. Mostrou como esta lógica gera contradições e perversidades ao mencionar, por exemplo, que a atuação da Pastoral da Criança é uma iniciativa que contribui para a redução do PIB, já que atua na prevenção e gera queda no consumo de medicamentos. Enquanto isso, de 10 a 11 milhões de crianças morrem, todos os anos no mundo, de fome ou por problemas relacionados à água. Outra contradição mencionada foi que, em 2011, o montante referente ao lucro do Banco Itaú, que beneficia seis sócios, foi maior do que todo o dinheiro investido no Programa Bolsa Família.

Rubens Born afirmou que não há um consenso sobre o conceito de Economia Verde, o que gera controvérsias e polêmicas, como o uso do termo “marketeiro” esvaziado por empresas, o chamado greenwashing. Apesar disso, comentou que o escopo do conceito de economia verde foi amplamente discutido (ver http://radarrio20.org.br/index.php?r=conteudo/view&id=12&idmenu=20).

Born explicou que os instrumentos econômicos para erradicação da pobreza não se restringem a mecanismos de mercado, pois há instrumentos fiscais, selos e certificações, sistema de poluidor-pagador, entre outros. Ao ser questionado sobre como devem ocorrer as mudanças na economia e como as discussões sobre economia verde, no âmbito da Rio + 20, ocorrerão apenas entre grupos privilegiados, Born concordou que a ONU discutirá no nível dos interesses nacionais, o que, no Brasil, pode representar o interesse dos ruralistas, empreiteiros e indústria automobilística em detrimento de 16 milhões de pobres. Ainda assim, exaltou que todos nós devemos assumir nossa governança e tentar influenciar este debate.

Para finalizar Rubens explicou que temos que usar os processos educacionais para acelerar as mudanças almejadas, ao passo que Dowbor afirmou que somente os ambientalistas não conseguirão “carregar esse piano” sozinhos.




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