Indicadores socioambientais e as mudanças de longo prazo

Presente na oficina “Indicadores de desenvolvimento: ferramenta de cidadania”, que aconteceu em 11 de abril no Hub Escola, São Paulo, o Insituto 5 Elementos compartilhou a visão do quanto o processo de construção de indicadores pode oportunizar transformações locais, estimulando a reflexão conjunta. Com base na experiência real de construção de indicadores no município amazônico de Juruti (PA), pelo Centro de Estudos da Sustentabilidade da FGV-SP, reforçou-se a importância da compreensão da própria realidade para os cidadãos priorizarem metas coletivas.

Cecília Ferraz, coordenadora do Programa de Desenvolvimento Local do GVCes, resgatou a origem do programa, em 2005, e o acordo com uma empresa de grande porte, a Alcoa, para que se construísse uma ferramenta voltada à população e não à empresa, com um plano de longo prazo com foco no município. “A ideia inicial era planejar com base na Agenda 21, por meio de um fórum local que teria a empresa apenas como um dos agentes do processo. Mas a agenda não aconteceu e como decidimos construir os indicadores sem esse plano em mãos, tivemos que perguntar às pessoas qual o desenvolvimento desejado e onde queriam chegar”, contou ela.

Isso porque a chegada de um empreendimento de mineração de grande porte ao município – que passou de 10 mil habitantes na área urbana para mais de 45 mil em seis anos – traz antes de tudo o impacto do crescimento desordenado em regiões amazônicas preservadas e relativamente isoladas. “Nestes casos, é importante nos questionarmos porque as empresas, governo e agentes financiadores não trabalham o planejamento local antes da chegada do empreendimento, prevenindo o colapso do sistema local expresso nos dados do projeto”, colocou Mônica Borba, coordenadora institucional do Instituto 5 Elementos, que desenvolve o programa Energia Social, voltado ao planejamento local em áreas de influência da ETH Bioenergia.

Nesse sentido, a construção dos indicadores deve servir, essencialmente, como meio para o debate local sobre os rumos do município, mobilizando os cidadãos em torno da reflexão sobre seu próprio processo de desenvolvimento. Os dados levantados foram, assim, um importante gancho para a construção coletiva de mais de 160 indicadores, em dez áreas temáticas – como meio ambiente, saúde, educação ou infraestrutura – que foram sendo, de fato, apropriados pela população em diferentes espaços.

“As informações se transformaram, por exemplo, em material didático nas escolas e serviram à construção de políticas públicas. O mais interessante é perceber a população construindo seus dados e discutindo a realidade com base na relação entre fatos, como a contaminação da água relacionada às taxas de problemas de saúde”, destacou Cecília.

No contexto do crescimento que em poucos anos alterou cenários locais, a exemplo das estradas de terra onde o transporte dá lugar às viagens de barco ou o aumento nas taxas de violência, onde a construção dos indicadores surge como meio de participação e possível caminho para um programa de educação para a sustentabilidade.




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