Encontro de catadores e suas organizações revela situação da categoria no país

Por Gabriela Arakaki

O encontro, que aconteceu em 28 de março no VII Fórum de Educação Ambiental, teve como objetivo coletar as contribuições de grupos de catadores do Brasil para a melhoria do processo de coleta seletiva no país.

Realizou-se uma dinâmica de interação inicial, seguida de compartilhamento de sensações e reflexões como a dificuldade em superar desafios. Os grupos também compartilharam experiências sobre a coleta seletiva em sua cidade, quando se revelou a importante presença de representantes de cooperativas de catadores da Bahia e do Movimento Nacional de Catadores para trazer a realidade da situação deste setor no Brasil, como Maria Monica da Silva (representante do Movimento Nacional de Catadores).

Com a socialização das informações foi possível constatar pontos em comum sobre a situação da coleta seletiva no Brasil e sobre as organizações de catadores de materiais recicláveis, além do papel da educação ambiental para o setor, a exemplo de: os catadores já são capacitados para realizar a educação ambiental e a gestão de suas organizações, mas ainda são vítimas de muito preconceito; a educação ambiental é fundamental para apoiar a organização dos milhares de catadores que ainda trabalham de forma independente; a educação ambiental é necessária para orientar a população sobre consumo consciente, coleta seletiva e sobre conceitos e quesitos técnicos relacionados a gestão dos resíduos sólidos.

Também foram constatadas diferenças regionais quanto ao grau de conscientização da população, com a opinião de que moradores da região sul do país são mais conscientes para realizar a coleta seletiva, diferente do ocorre no restante do Brasil. Lembrou-se a necessidade de um trabalho de educação com as cooperativas para sanar o problema do analfabetismo, e para a formação de novas lideranças aptas a fazer a gestão das associações e angariar mais parcerias.

Todas cooperativas enfrentam dificuldades para obtenção de recursos para subsidiar a logística e, principalmente, os galpões para a triagem do material.  O galpão é o grande problema dos movimentos, pois não há uma linha de financiamento destinada a isso, que vai contra a legislação brasileira para financiamentos públicos e por questões políticas. O preço pago pelo material também varia muito e, na maioria dos casos é baixo. Outras problemáticas se relacionam aos municípios terceirizarem o serviço de coleta de resíduos e rejeitos, e o pouco apoio dos governos municipais e estaduais para as organizações. Deve-se ainda criar estruturas para evitar a alta rotatividade das mulheres nas cooperativas causadas pela necessidade de criar os filhos, e neste caso, a sugestão é criar projetos / reivindicar ou criar parcerias para a criação de creches, escolas e projetos sociais para os filhos fora do período escolar.




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