Agricultores de Parelheiros descobrem como produzir suas próprias sementes

As cinco mil variedades de batata desenvolvidas há séculos no Peru foram substituídas quase na sua totalidade por um único tipo, a batata inglesa, enquanto na Ásia, há cerca de 10 variedades de arroz cultivadas em comparação às 140 mil domesticadas no passado. Segundo o agrônomo e especialista em produção de sementes, Vladimir Moreira, perdemos mais de 80% das variedades de tomate conhecidas no mundo e hoje quatro empresas multinacionais produtoras de sementes e agrotóxicos dominam 40% desse mercado no planeta.

Ele ministrou a primeira aula de 2013 do projeto “Educação Ambiental para Incentivar a Agricultura Orgânica nas APAs Capivari-Monos e Bororé-Colônia” e reabriu o debate entre o impacto da produção convencional de alimentos versus a importância da agricultura orgânica, praticada sem agroquímicos e em sistema familiar. Para os 28 alunos do curso, desenvolvido pelo Instituto 5 Elementos – Educação para a Sustentabilidade, e pela prefeitura de São Paulo, através do FEMA – Fundo Especial de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de São Paulo, foi a oportunidade de aprender a produzir as próprias sementes de hortaliça que irão usar no plantio orgânico.

Alunos da primeira edição do curso, em 2009, já produzem suas próprias sementes de couve, milho, feijão, ervilha e tomate, mas tal conhecimento depende de segredos adequados a cada espécie e, principalmente, da capacidade de selecionar as plantas de acordo com as características buscadas.

Clima, temperatura, água e luz influem juntos na floração que dará origem às sementes e, dependendo da espécie (cenoura e beterraba, por exemplo, florescem em climas frios, enquanto o quiabo e a alface suportam o calor), é possível manejar a natureza “artificializando” alguns processos, como a armazenagem das raízes de beterraba e cenoura na geladeira por certo período para induzir o florescimento e permitir a produção de sementes destas espécies em climas mais quentes.

“A germinação da alface e rúcula, demora mais para acontecer na estufa no verão”, comentou a agricultora Maria Aline Mesquita , “consegui polinizar pés de abóbora pincelando o pólen da flor masculina na flor feminina”, revelou o agricultor Antônio Sodré. E o conhecimento prático dos agricultores combinou-se às diferentes orientações do agrônomo: cem raízes de cenouras padrão podem ser selecionadas para aumentar a qualidade genética das sementes, enquanto a cabeça da cebola deve passar até 60 dias num galpão coberto antes de ir para a geladeira para indução do florescimento.

No mercado atual, o agricultor compra sementes de baixa qualidade e deve fazer o melhoramento aos poucos buscando adaptar a planta à sua região. “Uma boa dica é não vender os melhores pés, mas separá-los para produzir sementes para os próximos plantios. Além disso, escolher sementes de plantas ao longo de todo o terreno, dar intervalos de tempo no plantio de diferentes variedades e barreiras entre os cultivos para garantir a pureza genética das sementes”, explicou. Plantas como a alface, tomate e arroz raramente se cruzam, mas o repolho e o brócolis podem se misturar, assim como os vários tipos de abóbora.

A aula foi complementada com ensinamentos sobre a secagem ideal, a armazenagem adequada e formas de comercialização, além da rica atividade de troca de sementes que acontece em todas as aulas do curso, como forma de estimular a diversidade local, bem como a cooperação entre os agricultores de Parelheiros.




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