Agricultores da zona sul de São Paulo iniciam projeto para fortalecer produção orgânica

No último dia 5 de junho, o Instituto 5 Elementos – Educação para a Sustentabilidade lançou o projeto “Educação Ambiental para incentivar a Agricultura Orgânica nas APAs Bororé-Colônia e Capivari-Monos”, levando os agricultores da zona sul de São Paulo a refletir sobre seu importante papel na construção da sustentabilidade do município.

Os 25 participantes da primeira aula do curso de agricultura orgânica, com duração de 12 meses, iniciam um período de formação rumo ao fortalecimento das práticas sustentáveis na produção de alimentos, que respeitam o solo, a água e a biodiversidade local. Eles também irão visitar feiras e propriedades orgânicas modelo e receberão acompanhamento e orientação de um técnico nas propriedades, que estão todas localizadas numa região de grande importância ambiental da metrópole, por ser área de manancial.

O projeto é uma realização do Instituto 5 Elementos e da Prefeitura de São Paulo, através da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, com recursos do Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de São Paulo (FEMA) e parceria com o Centro Paulus, Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica (ABD), Supervisão Geral de Abastecimento de São Paulo (ABAST) e Casa de Agricultura Ecológica de Parelheiros.

“A agricultura orgânica é a chave para a sustentabilidade. Só não há mais espaços de comercialização de orgânicos na cidade porque faltam produtos dessa natureza. Esse grupo possui grande potencial de liderança, inclusive porque o consumidor de orgânicos quer saber como são cultivados os alimentos e até conhecer as propriedades”, destacou a coordenadora do Instituto 5 Elementos, Mônica Pilz Borba, lembrando que um dos objetivos do projeto é a integração dos agricultores à Cooperativa Agroecológica dos Produtores Rurais e de Água Limpa de São Paulo (Cooperapas), fundada após a primeira edição do curso, em 2009, e hoje com 32 cooperados.

Mônica Borba, coordenadora do Instituto 5 Elementos, esteve presente na aula inaugural do projeto “Educação Ambiental para incentivar a Agricultura Orgânica nas APAs Bororé-Colônia e Capivari-Monos”.

Além de depoimentos dos participantes do primeiro curso, que realizaram a transição bem-sucedida do modelo convencional ao orgânico, o lançamento do projeto contou com a apresentação de um histórico da agricultura no mundo e com uma atividade prática de construção do mapa de gestão das propriedades localizadas nos bairros de Embura, Chácara Santo Amaro, Barragem e Marsilac. O coordenador do projeto Ceceo Chaves, lembrou que se trata de uma região especialmente protegida, envolvendo duas APPs, Bororé-Colônia e Capivari-Monos, que cobrem quase um quarto do território do município, com características ainda rurais e responsáveis pela proteção da água que consumimos.

São muitos os alimentos já produzidos pelos alunos do curso, entre hortaliças, queijos e até flores e mudas de árvores nativas. “Comecei a plantar no modelo convencional, vendia para atravessadores e não conseguia bom retorno. Aos poucos passei a usar a matéria orgânica como cobertura na plantação e a cultivar cana, laranja, abacate e até cambuci. Estou muito satisfeito, vendo rapadura, melado e ainda preservo o Ribeirão Vermelho, que deságua na represa Guarapiranga”, conta José Geraldo Batista Santiago, agricultor da região.

Segundo Lia Goes de Moura, uma das diretoras da Cooperapas, é possível plantar para vender aos consumidores que buscam produtos diferenciados, como as plantas ornamentais que ela cultiva sem adubos químicos em sua propriedade. Já Samuel Koop Gabriel, gerente da ONG A Mão Cooperadora e aluno do curso deste ano, espera retomar a produção orgânica na propriedade onde funciona a ONG e usá-la para difundir, aos jovens atendidos pela instituição, o cultivo sem agrotóxicos. “Sonho ainda em tornar a propriedade uma referência em produção orgânica na região”, diz.

“Por meio das Casas de Agricultura e da Supervisão de Abastecimento de São Paulo (Abast), a Prefeitura de São Paulo vem trabalhando para abrir mercado aos pequenos agricultores, com a inserção desses produtos de forma diferenciada nas feiras da cidade, que hoje são 822 e 16 mercados”, afirma o agrônomo Tiago Almeida Janela. Restaurantes, pousadas e feiras especializadas em agricultura limpa também estão entre os empreendimentos que demandam cada vez mais alimentos cultivados de maneira sustentável.

Com este projeto, o Instituto 5 Elementos contribui para melhorar a segurança alimentar do município de São Paulo, ampliando a cultura de produção de alimentos orgânicos na região das Áreas de Proteção Ambiental da nossa cidade.




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