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3º Concurso Sede de Viver - Água Tratada, Vontade Saciada

GUIA DE ESTUDOS DA ÁGUA

Apresentação

O objetivo deste material é ampliar a divulgação de informações, bem como conscientizar os professores e interessados no tema ÁGUA, sobre a importância da preservação deste recurso natural vital para a preservação da vida no planeta.
Outro ponto importante é incentivar os educadores a planejarem seus projetos de forma multidisciplinar, envolvendo diversas disciplinas no mesmo trabalho e assim desenvolver uma visão mais articulada com o meio ambiente.
Este texto foi compilado de diversos livros, publicações e tratados sobre o tema “água”, conforme especificado no item 16 - Bibliografia.

Índice

1. A importância da água para a vida
2. De onde vem a água
3. Formas de utilização da água
4. Qual a forma de tratamento da água
5. Doenças provocadas pela água contaminada
6. Saneamento básico e qualidade de vida
7. Bacias hidrográficas
8. Formas de contaminação da água
9. Principais causas de poluição dos rios
10. Declaração universal dos direitos da água
11. Economia de água – dicas preciosas
12. Sugestões de atividades
13. Sugestões de livros
14. Sugestões de sites
15. Sugestões de fitas de vídeo
16. Bibliografia

1. A importância da água no planeta

A água é fundamental para o planeta. Nela, surgiram as primeiras formas de vida, e a partir dessas, originaram-se as formas terrestres, as quais somente conseguiram sobreviver na medida em que puderam desenvolver mecanismos fisiológicos que lhes permitiram retirar água do meio e retê-la em seus próprios organismos. A evolução dos seres vivos sempre foi dependente da água.
Existe uma falsa idéia de que os recursos hídricos são infinitos. Realmente há muita água no planeta, mas menos de 3 % da água do mundo é doce, da qual mais de 99% apresenta-se congelada nas regiões polares ou em rios e lagos subterrâneos, o que dificulta sua utilização pelo Homem.

DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA DA TERRA
Água Salgada 97%  
Oceanos e Mares  
Água Doce 3%  
Calotas polares e geleiras (75%)

Subsolo: entre 3.750m e 750m
acima de 750m

(13,7%)
(10,7%)
Lagos (0,3%)
Rios (0,03%)
Solo/umidade (0.06%)
Atmosfera/vapor d'água (0,035%)

A água é o mais crítico e importante elemento para a vida humana. Compõe de 60 a 70% do nosso peso corporal, regula a nossa temperatura interna e é essencial para todas as funções orgânicas.
Em média, no mínimo, nosso organismo precisa de 4 litros de água por dia. Além disso a água também é usada na preparação de mamadeiras, de comidas e sucos. Por isso temos que garantir uma água segura, com qualidade, pura e cristalina.

A água é o principal componente do corpo humano:

A água é a chave para todas as funções orgânicas:

• Sistema circulatório;
• Sistema de absorção;
• Sistema digestivo;
• Sistema de evacuação
• Temperatura do corpo

2. De onde vem a água

Para entender de onde vem a água é preciso relembrar os estados em que ela se encontra.
Existe água no estado gasoso na atmosfera, proveniente da evaporação de todas as superfícies úmidas – mares, rios e lagos; em estado líquido, nos grandes depósitos do planeta, oceanos e mares (água salgada), rios e lagos (água doce) e no subsolo, constituindo os chamados lençóis freáticos; e em estado sólido, nas regiões frias do planeta.
Da atmosfera, a água se precipita em estado líquido, como chuva, orvalho ou nevoeiro, ou em estado sólido, como neve ou granizo.
Todas estas formas de água são intercambiáveis e representam o CICLO DA ÁGUA ou CICLO HIDROLÓGICO.

Desde a sua criação, o homem tem tido a sua disposição um sistema natural de purificação de água chamado ciclo hidrológico.
O ciclo hidrológico nada mais é do que um gigantesco sistema natural de purificação da água, que a recicla e purifica constantemente; um processo pelo qual a água que está na atmosfera na forma de vapor condensa e volta à terra na forma de precipitação. Uma vez na terra, a água novamente evapora e assim sucessivamente.
Contudo, por volta de 30% da água precipitada não volta a evaporar, ficando estocada na terra de duas maneiras:
• Uma parte se infiltra na terra e é estocada em bolsas chamadas de Aqüíferos.
• Outra parte é estocada em lagos, riachos, rios, oceanos e mares, como água de superfície.
Até 25% da água que cai é retirada para formação de matéria orgânica de que se constituem os seres vivos. O restante atinge os mares, caindo diretamente neles ou a eles chegando através de cursos de água.
Devemos lembrar que , no caso das cidades, o ciclo natural da água é modificado pela impermeabilidade do solo, a falta de áreas verdes e o excesso de donstruções.

Mananciais
Os mananciais são as fontes de água. Podem ser uma nascente, uma bica, um riacho ou toda uma bacia hidrográfica. Pode ser superficiais ou subterrâneos, como por exemplo, o aqüífero guarani. As áreas que envolvem os mananciais são chamadas Áreas de Proteção de Mananciais.
Essas áreas são protegidas por lei e não podem ser desmatadas, têm restrições de ocupação e não podem ser poluídas. No entanto, a realidade urbana de muitos países não facilita a implementação e fiscalização dessas leis.
O abastecimento de água para a maior parte da população brasileira depende da preservação de mananciais protegidos pelas florestas. Nas regiões tropicais e subtropicais, a preservação de mananciais e rios está diretamente relacionada com a preservação das florestas. É através de processos florestais, envolvendo fauna e flora, que a água da chuva abastece os aqüíferos e o subsolo; a mata ciliar (vegetação à beira de rios, lagoas e nascentes) protege os corpos d´'água do assoreamento (ao evitar os deslizamentos de terra); a fauna, por sua vez, é responsável, entre outras coisas, pela propagação das sementes e pela perpetuação das florestas . Existe um equilíbrio intricado pelo qual a mãe natureza garante a continuação da vida no planeta, ameaçada pela interferência imprevidente ou predatória do homem.

O aqüífero Guarani
O Aqüífero Guarani é um dos maiores mananciais de água doce subterrânea transfronteiriços do mundo, abrangendo quatro países: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Tem uma extensão aproximada de 1,2 milhão de km, dos quais 840 mil estão no Brasil, nos estados do Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, Mato Grosso e São Paulo.
Guarani é o nome dado a esse conjunto de rochas que se formam entre 200 e 132 milhões de anos atrás. A espessura das camadas de rochas varia de 50 a 800 m, com profundidade de até 1.800 metros. Por isso, suas águas podem alcançar temperaturas muito elevadas, de 50 a 85°C. Existe um entusiasmo em relação à descoberta desse aqüífero, pois ele abriga águas muito profundas, que, de uma maneira geral, apresentam boa proteção contra agentes poluidores, estando muito mais protegidas do que os rios e lagos, os mananciais usualmente utilizados. Além disso, está localizado em uma região com alta concentração populacional, estimada em mais de 15 milhões de habitantes, e portanto, com alta demanda por água potável.
Há projetos de expansão do uso dessa água para fins energéticos, agropecuários e até de energia termal para co-geração de energia elétrica. Há um grande risco nisso, pois a abertura de diversos poços, muitas vezes sem a fiscalização adequada, pode facilitar a contaminação do aqüífero.
Como ainda faltam dados hidrogeológicos sobre o aqüífero, diversos projetos estão sendo realizados para estuda-lo, detectar possível radiatividade das águas e criar um modelo de proteção e gestão do uso. Recentemente foi criado um grupo de trabalho formado por especialistas do Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia, para desenvolver um programa de gestão compartilhada dos recursos hídricos.

3. Formas de utilização da água

A utilização da água pelo homem depende da captação, tratamento e distribuição e também, quando necessário, da depuração da água utilizada.

 

 

As formas de utilização da água são:

a) Doméstico:
como bebida;
fins culinários;
higiene pessoal;
lavagens diversas na habitação;
irrigação de jardins e pequenas hortas particulares;
criação de animais domésticos, etc.

b) Público:
escolas, hospitais e demais prédios ou estabelecimentos;
irrigação de parques e jardins públicos; lavagem de ruas e demais logradouros públicos;
fontes ornamentais e chafarizes;
combate a incêndios;
navegação.

c) Industrial:
indústria onde a água é utilizada como matéria prima (indústrias alimentícias e
farmacêuticas, gelo, etc);
indústrias onde a água é utilizada para refrigeração (por exemplo, metalúrgica);
indústria onde a água é usada para lavagem (matadouros, papel, tecido, etc):
indústrias onde a água é usada para fabricação de vapor (caldeiraria), etc.

d) Comercial:
escritórios, armazéns, oficinas, etc;
bares, sorveterias;
aqüicultura.

e) Recreacional:
piscinas;
higiene pessoal, lavagem;
lagos rios, etc.

f) Agrícola e pecuário:
irrigação;
lavagem de instalações maquinário e utensílios;
bebidas de animais, etc.

g) Energia elétrica:
uso em derivação das águas do seu curso natural, gerando energia;

h) Transferência de bacias:
sistema de inter-relações de uso e descarte da água entre municípios.

 

 

Observe no gráfico, que a Região Norte tem maior concentração de água, porém sua população é de menor densidade, de 2 a 5 habitantes por km2, ao contrário da Região Sudeste e Sul, onde a concentração da maior parte da população brasileira acarreta carência da água.

4. Qual a forma de tratamento da água

Felizmente, nosso conhecimento sobre a natureza da água tem avançado rapidamente.
Os problemas mais freqüentes têm sido estudados intensamente e atualmente, conhecemos os sintomas, as causas e as soluções para os problemas da água.
Para garantia da população, a água é tratada nas estações de tratamento de água, através de processos diversos, como veremos a seguir.
Numa Estação de Tratamento (ETA), a água é coletada dos mananciais se transformando em um produto potável, pronto para ser consumido sem riscos à saúde. No processo são utilizados equipamentos especiais e reagentes químicos próprios para remoer as impurezas. Basicamente, o tratamento consta das seguintes fases: DECANTAÇÃO, FILTRAÇÃO E CLORAÇÃO.
Inicialmente a água é levada para tanques de decantação, onde é misturada com alúmen e hidróxido de cálcio e fica em repouso várias horas.
Quando sai dos tanques de decantação, a água já está livre da sujeira mais grossa. Em seguida, passa por filtros de cascalho areia e carvão.
Ao sair dos filtros, a água já parece completamente limpa, mas ainda não é potável, pois contém muito micróbios, que podem causar doenças.
Para matar os micróbios, mistura-se à água uma substância gasosa chamada cloro. Depois de clorada a água pode finalmente ser usada sem perigo à saúde. Em algumas estações, o cloro é adicionado antes que a água passe pelos filtros.
Além desses três processos, também se adiciona flúor com a finalidade de fortalecer os dentes e evitar a incidência de cáries. Sua utilização difundiu-se apesar da oposição de algumas autoridades sanitárias (o mesmo princípio deu origem às pastas de dente com flúor).

Tratamento da água em casa
Como já vimos, para garantia da população, a água é tratada nas estações de tratamento de água, através de processos diversos , entre eles decantação e cloração.
Porém, o cloro confere um sabor estranho à água e além de prejudicar o sabor dos alimentos (sucos, gelo, café), pode prejudicar a saúde e por isso deve ser retirado na hora do consumo.
Além disso, a água percorre um longo caminho até chegar no ponto de uso, passando por tubulações enferrujadas, furadas e até mesmo sujas com resíduos de areia e barro.
Por esses motivos há a necessidade de se utilizar filtros de qualidade, produzidos para reter essas partículas de sujeira e eliminar gostos e odores estranhos da água, inclusive o cloro.
Porém, atenção para essa informação: o cloro é um agente de proteção da água que evita o desenvolvimento de microorganismos. Só deve ser retirado da água no momento do consumo.
Se a água for ficar armazenada em cisternas ou caixas d'água, deve ficar com cloro.

Problemas mais comuns na água de nossas residências
Turbidez
a turbidez é a presença de partículas de sujeira, barro e areia, que retiram o aspecto cristalino da água, deixando-a com uma aparência túrbida e opaca.
Gostos e cheiros estranhos
gostos e cheiros indesejáveis, como de bolor, de terra ou de peixe, são causados pela presença de algas, humus e outros detritos que naturalmente estão presentes nas fontes de água como rios e lagos.
Cor estranha
a presença de ferro e cobre pode deixá-la amarronzada. Além do aspecto visual, essa água pode manchar pias e sanitários. A água que causa manchas pretas possui partículas de manganês.
Cheiro de ovo podre
este cheiro é causado pela presença de hidrogênio sulfídrico, produzido por bactérias que se encontram em poços profundos e fontes de águas estagnadas por longos períodos.
Gosto de ferrugem/gosto metálico
o excesso de ferro e de outros metais alteram o sabor e aparência da água. O sabor da água pode apresentar-se metálico, mesmo que visualmente a coloração esteja normal, pois a coloração enferrujada só aparece depois de alguns minutos em contato com o ar.
Gosto e cheiro de cloro
o cloro é usado pelas estações de tratamento para desinfetar a água. Porém, a presença de cloro prejudica o sabor e o cheiro da água que vai ser utilizada para beber ou na culinária em geral.

A eficiência de uma filtração está relacionada com os seguintes fatores:
- Qualidade dos materiais utilizados na fabricação do filtro: Dependendo do material usado na construção do filtro a água poderá ser contaminada ao ser filtrada. A água filtrada que será usada no preparo de alimentos e bebidas deve entrar em contato apenas com matéria prima que não apresente possibilidade de contaminar a água com resíduos, cheiros e gostos estranhos.
- Um filtro de qualidade é produzido com materiais atóxicos e naturais (por exemplo, carvão vegetal e celulose de algodão), que não prejudiquem a saúde e não alterem as características naturais da água.
- Tempo que a água fica em contato com o material filtrante enquanto passa pelo filtro, ou seja, quanto maior o leito de carvão ou de celulose de um filtro, maior será o tempo de contato com a água e maior será a eficiência de filtração.
- Tecnologias de filtração, tais como densidade graduada, altas vazões, resina melamínica, certificados de qualidade, entre outros.

Existem duas divisões específicas para designar a filtração:
ponto de entrada e ponto de uso.

Ponto de entrada
O ponto de entrada é o local onde a água entra no estabelecimento ou residência (cavalete, por exemplo).
A filtração no ponto de entrada é importante para reter todas as impurezas que vêm com a água (areia, barro, ferrugem, algas, géis), deixando a água que entra na caixa d'água totalmente livre de partículas e resíduos.
Uma filtração eficiente no ponto de entrada protege os encanamentos contra corrosão, vazamentos e entupimentos, reduz a necessidade de sucessivas limpezas na caixa d'água e protege todos os equipamentos que utilizam água (chuveiros, torneiras, máquinas de lavar, cafeteiras).
No ponto de entrada recomenda-se a utilização de filtros de celulose, para retenção de partículas de sujeira, não sendo aplicável a utilização de filtros com carvão ativado, por retirarem o cloro que protege a água durante o armazenamento na caixa d'água.
A durabilidade de um filtro está diretamente relacionada com a sua capacidade de retenção (em micra). Para o ponto de entrada, recomenda-se um filtro com capacidade de retenção de até 25 micra, medida 3 vezes menor que um grão de talco e que garante uma eficiência de filtração por 3 meses. Após esse período deverá ser feita a troca do elemento filtrante (conhecidos como cartucho, refil ou vela).

Ponto de uso
Ponto de uso é o local onde a água é utilizada para consumo direto ou indireto. A água no ponto de uso deve ser filtrada por um filtro com celulose (para retenção de resíduos que venham da caixa d'água ou dos encanamentos da casa) e carvão ativado para eliminar gostos e odores estranhos e remover o cloro.
O ponto de consumo direto é aquele onde a água é usada diretamente para beber, fazer sucos, fazer gelo, cozinhar, etc.
O ponto de consumo indireto é aquele onde a água será utilizada para produzir algum alimento, como por exemplo, máquinas de gelo, geladeiras importadas, máquinas de café expresso, máquinas de refrigerante post-mix, entre outras.
Outro exemplo de ponto de uso indireto é a máquina de lavar roupas, na qual pode-se acoplar um filtro específico, que fornece água limpa e cristalina para uma lavagem perfeita, conservando as roupas por mais tempo e aumentando o rendimento dos sabões em pó.
A maioria dos filtros domésticos utiliza a prata coloidal como elemento para combater microorganismos. Porém, para garantir a eficiência da prata coloidal, é necessário que ela fique em contato com a água por algumas horas. Como a água passa rapidamente pelos filtros, esse tempo de contato não existe e, portanto, fica provado que os filtros não são esterilizadores ou purificadores.
A prata coloidal, na verdade, é utilizada para evitar a proliferação de bactérias dentro do filtro enquanto ele está em descanso.
A durabilidade de um filtro está diretamente relacionada com a qualidade da água das diversas regiões. Em locais onde a água provém de uma estação de tratamento de água, o filtro tem uma duração de 6 meses.
Para o ponto de uso, recomenda-se um filtro com carvão ativado vegetal granulado, celulose de algodão com densidade graduada e capacidade de retenção de até 5 micra, medida 15 vezes menor que um grão de talco, o que garante uma eficiência de filtração por 3 meses. Após esse período deverá ser feita a troca do elemento filtrante (conhecidos como cartucho, refil ou vela).

Legislação para fabricação de filtros residenciais
Finalmente após muitas reuniões da “Comissão de Estudo Especial temporária de Filtros e Purificadores de Água” foi implementada em caráter regulatório de acordo com a norma NBR 14908 “Aparelho para melhoria da qualidade de água para uso doméstico – aparelho por pressão”.
A norma visa especificar os mínimos requisitos e os métodos de ensaio utilizados por aparelhos de pressão, para melhoria da qualidade da água de uso doméstico, potável ou bruta (não residuária). Embasada na norma americana ANSI/ NSF 42:2001 esta norma também é acordada com a Portaria no 1469 do Ministério da saúde, Portaria esta que estabelece o padrão brasileiro de potabilidade para a água de consumo humano. A norma englobará os seguintes ensaios:
• Pressão hidrostática
• Fadiga
• Eficiência de retenção de partículas
• Eficiência de retenção de cloro livre
• Eficiência bacteriológica
• Controle de nível microbiológico
• Determinação de extraíveis.
Informe-se sobre Normas Técnicas no site da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas: www.abnt.org.br.

5. Doenças provocadas pela água contaminada

A água que abastece uma cidade, se não for tratada, pode tornar-se um importante veículo de transmissão de doenças.
O controle da qualidade é uma medida que visa principalmente garantir a saúde da população e deve ser exercida nos meios urbanos e rurais.

Principais doenças transmitidas diretamente da água:

Doença Agente Causador Sintomas
Cólera Víbrio cholera Diarréia abundante, vômitos ocasionais, rápida desidratação, acidose, cãimbras musculares e colapso respiratório
Amebíase Entamoeba histolytica Disenteria aguda, com febre, calafrios e diarréia sanguinoletenta
Gastro-enterite viral Rota vírus Diarréia, vômitos, levando à desidratação grave
Hepatite Vírus de hepatite a Febre, mal-estar geral, falta de apetite, icterícia
Desinteria bacilar Bactéria shigella Fezes com sangue e pus, vômitos e cólicas

Outros males causados por ingestão de água contaminada:
Poliomelite
Ascaridíase
Febre paratifóide
Febre tifóide
Doenças respirtatórias
Esquitossomose;
Perturbações gastrointestinais;
Infecções dos olhos ouvidos, gargantas, nariz;
Fluorose;
Saturnismo;
Dengue;
Malária;
Leptospirose;
Febre amarela;
Bócio.

6. Saneamento básico e qualidade de vida

A expressão Saneamento Básico é reconhecida no Brasil, no estágio atual, como parte do saneamento do meio que trata de problemas de abastecimento de água, coleta e disposição dos esgotos sanitários, incluindo os resíduos líquidos industriais, controle da poluição provocada por esses esgotos, drenagem urbana (águas pluviais) e acondicionamento, coleta, transporte e destino dos resíduos sólidos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saneamento como o controle de fatores que atuam sobre o meio ambiente e que exercem, ou podem exercer, efeitos prejudiciais ao bem-estar físico, mental ou social do Homem. Portanto, o objetivo final do saneamento é a promoção da saúde, um direito fundamental de todos os seres humanos.
Ter serviço de saneamento é um direito assegurado pela Constituição Federal; porém, o último censo do IBGE revela que cerca de 1/4 das residências do país não conta com serviço de água potável e quase metade não tem serviço de esgoto. A ausência deste saneamento básico é a causa de 80% das doenças e de 65% das internações hospitalares no Brasil, cujos gastos anuais com doentes por estas causas são da ordem de US$ 2,5 bilhões, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.


Falta de saneamento é responsável por grande parte das doenças e internações no Brasil.

Segundo dados do Sistema Único de Saúde, a cada R$ 1,00 investido em saneamento, as cidades economizam R$ 5,00 em medicina curativa da rede de hospitais e ambulatórios públicos.
A pobreza, combinada com baixos índices de saneamento básico, é responsável pela morte de uma criança a cada dez segundos. (PNSB-IBGE).

Fonte: Revista Veja – 3 de abril de 2002 pg 30 - Radar – Editora Abril – edição 1745 – ano 35 – nº 13

Dados da pesquisa nacional de saneamento básico do IBGE de 2001.

  Municípios sem abastecimento de água Cidades sem coleta de lixo Municípios sem rede de esgoto
Em 1989 195 124 2332
Em 2001 116 33 2658

 

Domicílios por condição de saneamento e luz elétrica (%) – 1999

Brasil e Grandes Regiões Água canalizada e rede de distribuição Esgoto e fossa séptica Lixo coletado Luz elétrica
Brasil 76,1 52,8 79,9 94,8
Norte 61,1 14,8 81,4 97,8
Nordeste 58,7 22,6 59,7 85,8
Sudeste 87,5 79,6 90,1 98,6
Sul 79,5 44,6 83,3 98,0
Centro-Oeste 70,4 34,7 82,1 95,0

Segundo o IBGE: (fonte Revista Veja e Revista Isto é – 3 de abril 2002, n° 1696).

As diferenças regionais são muito grandes no Brasil. Na região Sudeste o número de casas atendidas pelo fornecimento de água chega a 70,5%, enquanto a região Norte possui um índice de apenas 44,3%. A coleta de esgotos também sofre variações regionais: na região Sudeste, 53,0% das casas são atendidas pelas redes de esgoto, já no Norte do pais, apenas 2,4% possuem o mesmo serviço.
- No Brasil, apenas 52% dos municípios e 33% dos domicílios têm serviço de coleta de esgoto.
- Na região Norte, 2% dos domicílios têm rede de esgoto.
- 68,5% dos resíduos das grandes cidades são jogados em lixões e alagados.
- 24 mil pessoas trabalham como catadores nos lixões brasileiros. Destes, 22% são crianças com menos de 14 anos.
- Apenas 451 municípios dos 5.507 existentes no Brasil fazem coleta seletiva.
- Mais de um bilhão de pessoas no mundo estão sem água potável para seu consumo.
Cerca de 3 milhões de pessoas morrem todos os anos de doenças causadas pela água sem tratamento e de doenças pulmonares causadas pela poluição do ar. Fonte: ONU.
-
Relatório da ONU vê crise eminente no consumo da água no planeta. Já não há água para a higiene e o saneamento de 40% da população do planeta. 2 milhões de pessoas (de uma população de 9,3 bilhões) sofrerão com a falta d’água em 2050. Nas projeções mais pessimistas da ONU, esse número pode chegar a 7 milhões de pessoas no mesmo ano.
O presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Jerson Kelman declara que, o brasileiro hoje usa 55 m3/ano, em média, para atender às necessidades individuais de água para beber e higiene pessoal, mas um nível confortável de água para produzir seria de 1500m3/habitante/ano.

Diagnóstico Ambiental de São Paulo
O Estado de São Paulo possui uma extensão territorial de 247.898 Km2, equivalente a 2,91% da área total do país, e com um total de 645 municípios instalados em 1997.

Demografia
No que tange aos aspectos demográficos, a população do Estado em 1991 (IBGE 1991) era de 31.436.273 habitantes, resultando em uma densidade de 126,81 habitantes/Km2. Essa população, entretanto, não se distribui uniformemente pelo território estadual. Quase 50% (15.369.305 habitantes) concentram-se na Região Metropolitana de São Paulo.
Outros eixos de grande concentração de ocupação e atividade econômica são formados ao longo da Rodovia Anhanguera (regiões administrativas de Campinas e Ribeirão Preto), e da Rodovia Presidente Dutra (Vale do Paraíba).

Uso e Ocupação do Solo
Do ponto de vista histórico, merece destaque à velocidade com que a economia estadual, centrada na exploração da terra, passou para uma economia marcadamente industrial. Essa rápida transição acelerou o processo de degradação ambiental que acompanhou o desenvolvimento econômico de bases agrícolas.
Esse desenvolvimento industrial distanciou o estado de São Paulo dos demais estados da união, sendo que por períodos consideráveis durante o presente século, o Produto Interno Bruto Estadual chegou a representar mais da metade do PIB nacional. Hoje, essa participação tem tendência decrescente.
Do ponto de vista da hidrografia, cabe ressaltar que todas as 29 bacias hidrográficas que contém territórios no estado pertencem à bacia do rio Paraná e às bacias do Atlântico Sul-Leste e Atlântico Sudeste. O potencial de água subterrânea pode ser considerado muito bom em dois terços do território
De todo esse potencial de recursos hídricos, a demanda atinge apenas 353 m3/s, assim destinados: 87 m3/s para o abastecimento urbano, 112 m3/s para uso industrial e 154 m3/s para a irrigação. Entretanto, apesar da aparente folga na disponibilidade de recursos hídricos, algumas regiões de ocupação mais intensa mostram-se claramente deficitárias, especialmente a Região Metropolitana de São Paulo e a bacia do Rio Piracicaba.

Principais Problemas do estado de São Paulo

Fatores Ambientais Problemas Ambientais
Recursos Florestais Apenas 5% da cobertura vegetal está preservada devido à ação antrópica
Recursos Hídricos Contaminação devido ao lançamento de esgotos sem tratamento.Perda de água via redução da capacidade de armazenamento em lagos e represas devido ao assoreamento foi estimada em 13 bilhões de m3
Problemas Urbanos Congestionamentos e alto índice de poluição sonora, visual e eletromagnética
Ar Muito prejudicada na região metropolitana e Baixada Santista principalmente pelo pólo industrial de Cubatão
Resíduos Sólidos O lixo sólido domiciliar no estado representa mais de 18 mil toneladas/dia, sendo a maior parte lançada no solo a céu aberto.Os resíduos industriais chegam a 130.000 toneladas/dia; mais da metade é constituído por bagaço de cana
Degradação dos Ecossistemas Grande erosão do solo (cerca de 80% das terras cultivadas sofrem com o processo erosivo)

Fonte Ministério do Meio Ambiente – Diagnóstico Ambiental do Brasil

 

7. Bacias Hidrográficas

BACIA é o conjunto de terras drenadas por um rio principal e seus afluentes. Em todas as bacias hidrográficas a água escoa normalmente dos pontos mais altos para os mais baixos.
RIO significa uma corrente líquida resultante da concentração do lençol de água. O curso de água pode, em toda sua extensão, ser dividido em três parte:
a) curso superior (nascente)
b) curso médio
c) curso inferior (foz)
O homem sempre procurou se fixar ao longo das margens dos rios para sua sobrevivência, dependendo de suas águas para consumo , higiene, alimentação, lazer e transporte.
Com a explosão demográfica, a falta de organização da ocupação e uso dos solos, os rios vêm sofrendo as mais diversas agressões e poluições.

Bacias Hidrográficas: onde os rios se encontram
Os rios nascem nas montanhas ou nos planaltos. Quando a chuva cai, escolhe um caminho que é proposto pela forma da montanha. A água que brota da terra começa a descer também, vai vencendo obstáculos e adaptando-se ao relevo. Na descida, os rios vão se encontrando e formando rios maiores, com mais água e mais força. O conjunto de terras drenadas por um rio principal, seus afluentes e sub-afluentes é chamado bacia hidrográfica. A linha que divide as bacias hidrográficas é chamada divisor de águas.
Há uma hierarquia natural, na qual rios de menor volume, nas partes mais altas, contribuem para formar rios de maior volume, nas partes mais baixas. As bacias podem ser classificadas em principais (as que abrigam rios e maior porte), secundárias e terciárias. Segundo sua localização são classificadas como litorâneas ou interioranas.
Quando a inclinação da montanha é mais acentuada, há uma tendência dos rios a serem mais estreitos e profundos, ao contrário, nas bacias de inclinação baixa, os rios tendem a ser mais largos e menos profundos.

1- Bacia do Turvo Grande (TG)
2- Bacia do São José dos Dourados (SJD)
3- Bacia do Baixo Tietê (BT)
4- Bacia do Aguapeí/Peixe (AP)
5- Bacia do Pontal do Paranapanema (PP)
6- Bacia do Médio Paranapanema (MP)
7- Bacia do Tietê/Batalha (TB)
8- Bacia do Tietê/Jacaré (TJ)
9- Bacia do Baixo Pardo/Grande (BPG)
10- Bacia do Sapucaí - Mirim/Grande (SMG)
11- Bacia do Pardo (PARDO)
12- Bacia de Mogi (MOGI)
13- Bacia do Piracicaba/Capivari/Jundiaí (PCJ)
14- Bacia do Sorocaba e Médio Tietê (SMT)
15- Bacia do Alto Paranapanema (ALPA)
16- Bacia do Ribeira do Iguape e Litoral Sul (RB)
17- Bacia do Alto Tietê (AT)
18- Bacia da Baixada Santista
19- Bacia do Paraiba do Sul e Serra da MAntiqueira (PSM)
20- Bacia do Litoral Norte (LN)

Comitês de bacias hidrográficas
Em 1997, com a Lei 9433/97, o Brasil deu início a um modelo ambicioso de gestão do uso dos rios, passando as decisões sobre tal uso em todo país aos comitês de bacias.
Os comitês de bacias hidrográficas estão sendo criados em todo o país, visando gerenciar a água de forma descentralizada, integrada e com a participação da sociedade. Nesses espaços colegiados participam órgãos do poder público, representantes do setor privado ligados às indústrias e à agricultura, outros usuários da água e representantes da sociedade civil. Por isso, são considerados “o parlamento das águas”. Antes de sua criação o gerenciamento era feito de forma isolada por municípios e Unidades da Federação, sem a participação da sociedade civil. Com a criação dos comitês, o estado de São Paulo, por exemplo, foi dividido em 22 unidades de gerenciamento, de acordo com as bacias hidrográficas e afinidades geopolíticas.
A formação do comitê de bacias é muito importante e a evolução desse processo será a formação de comitês transfronteiriços para coordenar nas ações na bacias que envolvem diferentes países, tais como as do rio Amazonas, do rio Paraná e do rio Paraguai.
A política de recursos hídricos cria novos instrumentos tanto de gestão como de outorga, organiza o plano de gestão da bacia e a cobrança pelo uso da água. A outorga é o registro e a autorização que deveria ser dada para qualquer usuário da bacia. Esse registro não existe ainda. O plano de ação visa recuperar e melhorar a conservação da bacia, e uma das fontes de recursos é a cobrança pelo uso da água.

8. Formas de contaminação da água

Somente 3% do total da água do planeta é água doce e grande parte dessa reserva já está poluída ou continua ameaçada pela poluição. A água é um poderoso solvente. Ela dissolve algumas porções de quase tudo com o que entra em contato.
Na cidade a água é contaminada por esgoto, monóxido de carbono, poluição, produtos derivados de petróleo e bactérias. O cloro utilizado para proteger a água pode contaminá-la ao reagir com as substâncias orgânicas presentes na água, formando os nocivos trialometanos (substância cancerígena)
A agricultura contamina a água com fertilizantes, inseticidas, fungicidas, herbicidas e nitratos que são carregados pela chuva ou infiltrados no solo, contaminando os mananciais subterrâneos e os lençóis freáticos.
A água subterrânea também é contaminada por todos estes poluentes que se infiltram no solo, atingindo os mananciais que abastecem os poços de água de diversos tipos.
A água da chuva é contaminada pela poluição que se encontra no ar, podendo estar contaminada com partículas de arsênico, chumbo, outros poluentes e inclusive ser uma chuva ácida.
A indústria contamina a água através do despejo nos rios e lagos de desinfetantes, detergentes, solventes, metais pesados, resíduos radioativos e derivados de petróleo.

Os contaminantes da água podem estar:
• Dissolvidos - fazendo parte de sua composição química.
• Em suspensão - fazendo parte da composição física: sedimentos, partículas, areia, barro, etc.
• Biológicos - a água é um excelente meio para o crescimento microbiano.

Classificação dos contaminantes da água:
• Contaminação química;
• Contaminação orgânica;
• Contaminação biológica;
• Sabores estranhos;
• Odores estranhos particulado.

9. Principais causas de poluição dos rios

• Poluições químicas com efeitos nocivos:
- poluentes: produtos tóxicos minerais (sais minerais de metais pesados, ácidos, álcalis, fenóis, hidrocarbonetos, detergentes, etc.)
- responsáveis: todas as indústrias, devido aos dejetos acidentais, e as atividades de garimpo e mineração

• Poluições químicas crônicas:
- poluentes: fenóis, hidrocarbonetos, resíduos industriais diversos, produtos fito-sanitários (inseticidas e herbicidas), detergentes sintéticos, adubos sintéticos (nitratos)
- responsáveis: indústrias diversas (refinarias, indústrias petrolíferas, de plástico, de borracha, fábricas de gás, de carvão, de madeira, alcatrões, agricultura, usos domésticos e industriais de detergentes)

• Poluições biológicas:
- poluentes: detritos orgânicos, fermentáveis
- responsáveis: esgotos das coletividades urbanas, indústrias de celulose (serrarias, fábricas de papel), indústrias têxteis e alimentares (destilarias, fábricas de cerveja, conservas, indústrias de laticínios, indústrias de açúcar, matadouros, curtumes)

• Poluições físicas: poluição radioativa
- poluentes: resíduos radioativos das explosões nucleares e das reações nucleares controladas; radiatividade induzida
- responsáveis: indústrias nucleares

• Poluições mecânicas:
- poluentes: matérias sólidas inertes (lodos, argilas, escórias, etc.)
- responsáveis: grandes estaleiros de construção, construção de estradas, indústrias de extração, lavagem de minérios, drenagens

• Poluições térmicas:
- poluentes: dejetos de água de refrigeração que elevam a temperatura dos rios
- responsáveis: centrais elétricas, térmicas e nucleares, refinarias

Eutrofização:
Quando os resíduos de uma água poluída mais ou menos rica em nitratos e fosfatos se tornam demasiado abundantes em relação à quantidade de água pura disponível, surge o fenômeno da eutrofização.
Este fenômeno manifesta-se nos rios lentos e, sobretudo, nos lagos, onde a correnteza é insuficiente para evacuar as águas usadas. Começa a haver um processo de acumulação de detritos no leito, ameaçando ou fazendo desaparecer as espécies da fauna e da flora originais ocasionando o surgimento de uma camada de algas, produtoras de substâncias tóxicas. Com a contínua população de algas na superfície, as águas tornam-se turvas e cada vez mais poluídas.

Classes de uso dos rios
A poluição das águas na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) apresenta características diferentes das do interior do Estado. A grande concentração industrial e urbana gera cargas poluidoras muito elevadas em relação à capacidade de assimilação dos corpos d’água que atravessam a região. Por isso, a quantidade desses rios é insatisfatória para os vários usos possíveis.
A Legislação Estadual referente ao Controle de Poluição Ambiental (Decreto No. 8.468 de 8/9/76) estabelece no Artigo 7º quatro tipos de classificação da água:

Classe 1
Águas destinadas ao abastecimento doméstico, sem tratamento prévio ou com simples desinfecçã.

Classe 2
Águas destinadas ao abastecimento doméstico, após tratamento convencional, à irrigação de hortaliças ou plantas frutíferas e à recreação de contato primário (natação, esqui aquático e mergulho).

Classe 3
Águas destinadas ao abastecimento doméstico, após tratamento convencional, à preservação de peixes em geral e de outros elementos da fauna e flora, e a matar a sede de animais.

Classe 4
Águas destinadas ao abastecimento doméstico, após tratamento avançado, ou à navegação, à irrigação e a usos menos exigentes.
Obs: Os rios Tietê e Pinheiros, na Região Metropolitana de São Paulo, se encaixam nesta classificação.

Critérios e padrões da água (IQA)
Não é qualquer água que se preste à potabilização pelo tratamento convencional típico da prática da engenharia sanitária.
Para um manancial ser considerado potabilizável, a análise da água passa por indicadores biológicos e fisioquímicos que, juntos, formam o IQA – Índice de Qualidade de Água . Entre eles, estão o volume de coliformes fecais, DBO (demanda biológica de oxigênio), temperatura da atmosfera, pH, nitrogênio total, fosfato total. Sólidos totais, turbidez. Para complementar a análise, podem-se usar bioindicadores: peixes, insetos, algas, etc. do fundo e das margens dos rios.

Avaliação da intensidade da poluição biológica
Visto que a poluição por matérias orgânicas acarreta um grande consumo de oxigênio, o padrão de DBO é uma boa estimativa
• DBO – Demanda Biológica de Oxigênio: corresponde à quantidade de oxigênio necessária para que as bactérias possam oxidar as matérias orgânicas a uma temperatura de 20 graus centígrados. É expressa em miligramas por litro (essa medida é feita em laboratório). Quanto mais elevada for a DBO, mais poluída estará a água.
• DQO – Demanda Química de Oxigênio: corresponde à quantidade de oxigênio dissolvido, cedida por via química (portanto sem intervenção biológica) para oxidar substâncias redutoras presentes nas águas poluídas.
• IT – Índice de Toxicidade: levanta algumas substâncias tóxicas presentes em águas naturais ou poluídas.

É possível recuperar um rio poluído?
Algumas providências podem ser adotadas no sentido de elevar a capacidade de permanente autodepuração do rio.


Em São Paulo, Rio Tietê cheio, depois de uma grande chuva

Regularização da vazão:
Quando a vazão de um rio se torna menor, os efeitos da poluição se tornam mais graves. Para controlar a vazão, constroem-se barragens. Desta forma, pode-se garantir os curso da água uma vazão constante, pois o excesso de água, existente durante as épocas de chuva, é acumulado para depois ser liberado mediante a abertura das estações secas.
A construção de represas, entretanto, deve restrirgir-se aos casos absolutamente indispensáveis, pois ela implica sempre uma alteração dos sistemas ecológicos, provocando desequilíbrios, alteração de fauna e flora, mudanças de clima e outros impactos ambientais que deverão ser cuidadosamente avaliados.

Elevação da turbulência:
Rios que possuem corredeiras têm muito maior capacidade de absorver o oxigênio atmosférico que os rios de águas tranqüilas. É possível produzir “corredeiras artificiais” em um rio poluído. Uma experiência piloto desse tipo foi realizada no rio Pinheiros, em São Paulo, mediante a construção de “escovas rotativas” – movidas por motores elétricos -, as quais submetiam a água a uma forte agitação, promovendo rápida reoxigenação do meio.
Em casos extremos, de produção repentina de fortes odores nocivos, tem-se recorrido à adição de nitratos à água como fonte química suplementar de oxigênio para atividade de bactérias anaeróbias facultativas. Tal solução paliativa tem , porém, o grave inconveniente de acrescentar nitrogênio ao rio, o que acelera o processo de eutrofização.
Essas são as “massagens”, “exercícios” e “fortificantes” que podemos administrar ao rio para que ele, por si só, consiga recuperar-se da doença da poluição.

10. Declaração Universal dos direitos da água

Criado pela ONU em 1992, a partir das recomendações da Conferência do Rio, contidas na Agenda 21, o Dia Internacional da Água vem sendo comemorado anualmente no dia 22 de março, com atividades concretas que promovam a consciência pública sobre o significado d’água. Na atualidade, todo o mundo, os governos, os cientistas, ambientalistas e amplos setores das comunidades vem demonstrando crescente preocupação com esse elemento natural que dispõe dois terços da superfície da Terra e cuja ocorrência em estado líquido é condição essencial para a existência da vida no planeta.
A Declaração Universal dos Direitos da Água resume a concepção de sua importância no mundo hoje e os caminhos adequados para sua conservação e, por decorrência, da preservação da vida.
A presente Declaração Universal dos Direitos da Água foi proclamada tendo como objetivo atingir todos os indivíduos, todos os povos e todas as nações, para que todos os homens , tendo esta Declaração constantemente presente no espírito, se esforcem através da educação e do ensino em desenvolver o respeito aos direitos e obrigações nela anunciados e assumam, com medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação efetiva.


Crianças brincam com a água sem tratamento

Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta.
Ela é condição essencial de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à vida tal qual é estipulado no Art. 3º da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

Art. 4º - O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

Art. 5º - A água não é somente uma herança de nossos predecessores: ela é sobretudo um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, sendo assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza, ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento, para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

Art. 8º - A utilização da água implica o respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo estado.

Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

Art. 10º - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão da sua distribuição desigual sobre a Terra.

A água e a Agenda 21
A agenda 21, elaborada durante a Conferência Mundial das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, a Eco-92, dedicou um capítulo especial à questão da água, onde preconiza o uso sustentável dos recursos hídricos, orientando todas as nações para extrema necessidade de recuperar e garantir a qualidade das águas. Porém, a degradação dos rios continua cada vez maior, os mananc